Ponta Porã Linha do Tempo: Memória do desporto fronteiriço. Hélio Bueno “Omenélio” o imortal dentro do futebol sul-mato-grossense. Um desportista além de seu tempo.

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* Yhulds Giovani Pereira Bueno. “Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende”. Neném Prancha.

Ao longo dos séculos muitos foram os que lutaram para deixar seu legado na história, desbravadores e conquistadores, algoz em seu tempo, gênios inventores e pioneiros, alguns impondo sua marca outros marcando sua época, mas existem aqueles que sem esforço marcam uma geração e ultrapassam o tempo sendo lembrados pelos seus feitos gravados na memória de um povo de uma região.

Desta forma surgiu gênio futebolístico Omenélio (Hélio Bueno) no final da década de 1950, filho de Ponta Porã descendentes de pioneiros oriundos do Rio Grande do Sul, que no inicio do século XX (20) vieram de São Borja fixando morada na região de fronteira.

Desde muito jovem demostrou talento nos gramados fronteiriços em especial no campo da figueira, uma facilidade fora do comum de conduzir majestosamente a bola, que na época não era feita com toda essa tecnologia de hoje, antigamente as bolas utilizadas eram costuradas a mão a famosa “bola de capotão” como era chamada naqueles tempos, quando molhada triplicava de peso, não era um esporte para fracos, na atualidade as novas bolas tem um desaine avançado, que facilita muito a vida do jogador.

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Arquivo pessoal Adão Bueno: nesta foto Omenélio Bueno aparece ao fundo, mão na cintura analisando a equipe adversária, no momento que os outros colegas da equipe do Ponta Porã faziam pose para foto, com atletas que fizeram história em seu tempo. Em pé da esquerda para direita Elidio, Saturnino, lacuna, goleiro de preto Zé Quintana Bertolino Bueno irmão de Omenéilio, agachado da direta para esquerda o Erve Roncatt, Roberval Roncatti, Coque entre outros grandes atletas deste tempo.

 

Omenélio (Hélio Bueno) foi considerado um grande centro avante da região e do estado, ambidestro, pois chutava utilizando a perna direta ou esquerda da mesma forma isso dificultava muito a vida do goleiro e do seu marcador, mesmo sem tecnologia, ele conseguia colocar efeito na bola que se tornava na maioria das vezes indefensável para o goleiro adversário, muito se falam na atualidade em Messi, Neymar, Ronaldinho, Romário entre outros grandes jogadores, mas quem viu Omenélio

(Hélio Bueno) jogar em sua melhor forma, com todo respeito a estes nomes citados, o equipara muito além destes celebres jogadores, ele sim seria um fenômeno hoje como foi em seu tempo.

Não obteve sucesso nem ganhou milhões na grande metrópole eram outros tempos, muito diferente da atualidade ganhar dinheiro com futebol era quase impossível todos trabalhavam e jogavam para se manter, por ser ele um admirador da noite e boemia nestes tempos não deu muito certo essa combinação com a capital paulista, retornou para Mato Grosso em especial a cidade de Dourados onde se fixou, foi jogador da equipe do Operário e Ubiratan por longa data defendendo a equipe douradense.

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Arquivo pessoal de Omenélio Hélio Bueno: Carteira de atleta campeonato de 1966 Liga desportiva de Amambay.

Mas sempre ele era chamado por equipes da fronteira em especial do Paraguai para jogar, quando o nome de Omenélio (Hélio Bueno) era anunciado nas rádios da região, era sinal de espetáculo e de estádio cheio para velo em campo. Teve breve passagem por equipes do Paraná Londrina e Curitiba, nestes tempos vinham de avião para levar Omenélio (Hélio Bueno) para que o mesmo disputasse jogos na região fronteiriça do Paraná em especial Guaíra e no lado paraguaio Foz do Iguaçu, para disputas de futebol de salão e futebol de campo (gramado)

Outra versatilidade era ser um excelente goleiro no futebol de salão, que era jogado com uma bola mais pesada a lateral era cobrada com a mão, ágil como um gato propiciava show em quadra, por longo tempo jogou para equipe da AABB de Dourados, um fato inusitado ficou gravado na história, em determinado jogo se iniciou a cobrança de penalidades Omenélio (Hélio Bueno) era o goleiro o mesmo vira de costas para seu adversário, partida empatada, na regra nada o impedia de estar de costas durante a cobrança, vaias, gritos, todos queriam ver o que iria acontecer, esperando que Omenélio (Hélio Bueno) se virasse antes do apito, mas somente depois que o árbitro apitou autorizando a cobrança que ele se virou e surpreendeu agarrando a bola do oponente arrancando aplausos de todos, um de muitos shows que ele proporcionava para plateia presente em seus jogos.

Omenélio (Hélio Bueno) foi funcionário da Prefeitura Municipal de Dourados, professor de artes marciais, kung fú, Caratê e Judô, após se aposentar retornou para sua cidade natal Ponta Porã onde reside até atualidade, frequenta o Conviver clube da melhor idade onde disputa jogos representado a

entidade em competições dentro e fora do estado, saudoso dos tempos de jogador, mas satisfeito pela contribuição que deu ao futebol sul-mato-grossense.

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Arquivo pessoal de Omenélio Hélio Bueno: carteira de instrutor em artes marciais.

 

Boatos que Omenélio (Hélio Bueno) teria falecido se espalharam no início dos anos 2000, o mesmo foi homenageado em Dourados e por entidades esportivas por onde passou, ele leva tudo na brincadeira, quando algum amigo destes tempos o encontra logo e leva um susto, o mesmo brinca dizendo “sou imortal”.

Mas Deus em sua infinita sabedoria e benevolência e quem somos nós para questionar. Em nossa simples existência sabemos que nascemos para um dia morrer, deixamos aqui neste mundo nossas ações e levamos ao novo plano espiritual nossos aprendizados.

Omenélio (Helio Bueno) Lutava há algum tempo com um tipo agressivo de câncer, mas depois de muita luta e tratamento o grande campeão de vários títulos, mestre 2° Dam de kung fu, enxadrista com títulos estaduais e brasileiros, recebeu o xeque mate em sua última jogada pela vida.

Que Deus o receba tio Hélio truqueiro de mão cheia, exímio jogador de sinuca, um homem versátil que marcou sua geração sempre alegre e de bem com a vida, vai deixar muitas saudades em nossos corações.

Somos imortais em nossas ações aqui vivemos e deixamos registrada nossa passagem a todas as gerações. Yhulds Bueno

Resgatar fatos épicos de personagem fronteiriços que fizeram história e propiciar a novas e futuras gerações o conhecimento da memória histórica, sócia e cultural de um povo e sua região.

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Pesquisador: Yhulds Giovani Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federais). Professor coordenador da Rede Municipal de Educação.

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