Negão do WhatsApp: Funcionários são demitidos em festa de confraternização

Uma polêmica e tanto está rolando no mundo corporativo tecnológico. Acontece que a Salesforce, multinacional desenvolvedora de softwares, ofereceu uma festa de fim de ano para seus funcionários brasileiros, mas a descontração extrapolou alguns limites, ocasionando a demissão do presidente da subsidiária brasileira.

Essa foto chegou à matriz norte-americana da Salesforce, que achou tal fantasia inadmissível, por satirizar a imagem de um homem negro, perpetuando estereótipos de raça. A companhia teria pedido à direção para demitir o funcionário, mas o diretor comercial brasileiro alegou que aqui no Brasil as pessoas são mais liberais e, por isso, tentou mantê-lo no cargo. Contudo, a postura do diretor não agradou aos cabeças da Salesforce, que decidiu demiti-lo também. Então, o presidente da filial brasileira decidiu intervir, alegando que a punição seria exagerada.

No fim das contas, a matriz decidiu demitir todo mundo: o funcionário de vendas, o diretor comercial e o presidente da Salesforce no Brasil. Ainda, outros dois funcionários que teriam se fantasiado de personagens negros do filme As Branquelas foram suspensos enquanto seu comportamento é avaliado pela empresa.

Procurada pela Folha de S. Paulo, a companhia confirmou que desligou, sim, os três funcionários, mas disse que, por conta de protocolos internos, não faria comentários oficiais a respeito.

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Foto: Canaltech

Blackface

Ainda que os brasileiros tenham se defendido explicando que a tal fantasia foi apenas uma brincadeira, o ato de uma pessoa branca se fantasiar de um personagem negro é mal visto por conta do chamado “blackface”: a prática inicialmente teatral em que atores brancos se pintavam com carvão para representar personagens afro-americanos. O problema é que, com o blackface, estereótipos negativos quanto à aparência negra são perpetuados, gerando atitudes consideradas racistas.

Nos Estados Unidos, o blackface se popularizou no século 19 e acabou contribuindo para com o racismo no país, ridicularizando a aparência negra, que seria digna de de ser uma fantasia, deixando de lado toda a luta histórica por direitos iguais e o fim do preconceito racial.

Depois de mais de 100 anos de prática, o blackface enfim foi considerado uma atitude racista no teatro, televisão e cinema nos EUA, com a indústria do entretenimento deixando a prática de lado. Aqui no Brasil, ainda é comum vermos pessoas fantasiadas de personagens negros no Carnaval, por exemplo, mas os movimentos sociais locais vêm se espelhando na luta racial norte-americana para combater a prática por aqui, também.

Terra

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