Carneiro é o 9º centroavante da gestão Leco no São Paulo; nenhum fez 50 jogos

GloboEsporte.com

Alexandre Lozetti

Uruguaio tenta ser mais longevo que últimos atacantes da posição: presidente contrata um a cada três meses.

Nas próximas semanas, o São Paulo vai apresentar Gonzalo Carneiro, centroavante contratado para tentar melhorar o desempenho ofensivo da equipe no restante do ano. Tem sido uma cena corriqueira no CT da Barra Funda, mas de poucos resultados. O uruguaio é o nono jogador da posição contratado desde que Leco foi eleito presidente, em outubro de 2015.

Nenhum dos outros oito atacantes que assinaram contrato chegou a 50 jogos com a camisa tricolor, símbolo do método que norteia o comando do futebol há alguns anos, baseado muito mais em tentativas de nomes com características e origens variadas do que numa ideia de jogo ou num projeto sólido de montagem de equipe.

Gonzalo Carneiro deve estrear em cerca de um mês (Foto: Érico Leonan / saopaulofc.net)

Aos 22 anos, Carneiro tem contrato até 31 de março de 2021. Portanto, tempo para conseguir ser mais longevo do que seus companheiros de posição.

A primeira eleição de Leco foi extraordinária, marcada após a renúncia do ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Ele venceu novamente nas urnas em abril de 2017. Somados os dois mandatos, são quase 30 meses, o que significa um centroavante contratado a cada três meses. Na média, é como se cada um tivesse disputado apenas 23 partidas pelo São Paulo. Pouco mais de um turno do Campeonato Brasileiro. Somados, eles marcaram 61 gols e não conquistaram nenhum título.

Só em direitos econômicos, sem contar comissões, luvas e pagamentos por empréstimos, o clube gastou R$ 44 milhões.

Veja abaixo quem são os nove centroavantes da gestão Leco no Tricolor:

Calleri

  • 31 jogos
  • 16 gols

Sem dúvida, o que mais fez sucesso. Chegou em janeiro de 2016 por empréstimo de seis meses, período que não pôde ser estendido, apesar da sintonia entre clube e jogador, em razão dos anseios dos investidores que detinham seus direitos econômicos e queriam vê-lo na Europa. O argentino foi o principal responsável por levar o São Paulo à semifinal da Libertadores.

Calleri virou ídolo da torcida do São Paulo (Foto: Geovani Velasquez/Código 19/Estadão Conteúdo)

Calleri virou ídolo da torcida do São Paulo (Foto: Geovani Velasquez/Código 19/Estadão Conteúdo)

Kieza

  • 2 jogos
  • nenhum gol

Um fiasco. Chegou em janeiro de 2016, perdeu um gol feito na Libertadores, ficou irritado por ficar atrás de Calleri e Alan Kardec na preferência do técnico Edgardo Bauza, pediu para não ser relacionado, e em março já se despediu rumo ao Vitória. O São Paulo gastou R$ 4 milhões para contratá-lo, mas recuperou o investimento ao negociá-lo com o clube de Salvador.

Ytalo

  • 13 jogos
  • 1 gol

Contratado depois do Paulistão-2016, quando foi vice-campeão pelo Audax e fez dois gols nas quartas de final contra o São Paulo, o jogador, de características mais versáteis do que os outros centroavantes, teve uma séria lesão: rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito. Quando se recuperou da cirurgia, voltou para o Audax.

Chávez

  • 35 jogos
  • 12 gols

Chegou por empréstimo no meio de 2016, para suprir as saídas de Calleri e Kardec. Sob o comando de Ricardo Gomes, foi importantíssimo na missão de se distanciar da zona de rebaixamento, mas no início do ano seguinte perdeu espaço com a chegada de Pratto. Deixou o clube em junho de 2017, de maneira quase imperceptível.

Chávez ajudou o São Paulo a não cair em 2016 (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Chávez ajudou o São Paulo a não cair em 2016 (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Gilberto

  • 33 jogos
  • 13 gols

Contratado próximo a Chávez, ficou na sombra do argentino até o fim do ano, quando, com Pintado interino, foi bem nos últimos jogos. Em 2017, conquistou Rogério Ceni no início da temporada, mas jogou pouco depois que Pratto chegou. Seu contrato terminou em dezembro e não foi renovado.

Lucas Pratto

  • 48 jogos
  • 14 gols

Custou R$ 24 milhões, foi apresentado em campo, ganhou faixa de capitão e chegou a ser tratado pela diretoria como exemplo para os outros jogadores. O projeto de idolatria fracassou. No fim de 2017, antes de completar um ano no São Paulo, pediu para ser negociado com o River Plate, e a diretoria, com o aval do então técnico Dorival Júnior, festejou lucro financeiro em sua saída – os argentinos pagaram R$ 32,9 milhões ao Tricolor.

Pratto foi quem mais atuou: 48 jogos (Foto: Marcos Ribolli)

Pratto foi quem mais atuou: 48 jogos (Foto: Marcos Ribolli)

Diego Souza

  • 16 jogos
  • 3 gols

Era o “9 móvel” que Dorival queria para substituir Pratto, mas suas atuações como centroavante foram um horror. Acabou indo para o banco de reservas, e hoje a impressão que se tem, reforçada pela chegada de Carneiro, é de que ele terá de disputar posição no meio-campo, onde teve seus melhores momentos na carreira. O São Paulo pagou R$ 10 milhões por ele.

Tréllez

  • 11 jogos
  • 2 gols

Atual titular do ataque são-paulino, custou R$ 6 milhões, mas ainda não encantou. A capacidade de colaboração defensiva, ao marcar pela lateral e dar conforto físico para Nene aguentar mais tempo em campo, tem sido o combustível do atacante, super dedicado, porém sem brilho.

Gonzalo Carneiro

Muito bem recomendado por uruguaios após sua ascensão no Defensor Sporting, apesar de ter só 39 jogos como profissional aos 22 anos de idade, é a nova aposta da diretoria para solucionar os problemas ofensivos da equipe. Sem atuar desde novembro por causa de uma pubalgia, ainda deve demorar cerca de um mês, segundo o técnico Diego Aguirre, para poder estrear.

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