Caminhoneiros permanecem parados em Dourados mesmo após anúncio do governo

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A paralisação dos caminhoneiros ainda não tem data prevista para encerrar em Dourados. Mesmo após o anúncio do Governo de zerar a alíquota do Pis/Cofins e da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) durante 60 dias, o que provocaria um desconto de R$0,46, manifestantes afirmam que não vão retomar as estradas.
A paralisação na cidade já dura seis dias e desabasteceu diversos setores varejistas, principalmente os postos de combustível, revendas de gás e supermercados.
As aulas na rede municipal de ensino foram interrompidas. Universidade públicas em Dourados também suspenderam as aulas por falta de condição de acesso dos alunos.
Dourados News conversou com um dos caminhoneiros acampados no Trevo da Bandeira na BR-163. Ele, que pediu preservação da identidade, afirmou que mesmo com o anúncio do Governo, a categoria não aceita o prazo de apenas 60 dias.
A redução a zero na alíquota do Pis/Cofins era a principal reivindicação dos manifestantes. Na noite de quinta-feira (24), uma reunião entre Governo Federal e entidades representantes da categoria definiu o primeiro acordo propondo entre diversas reivindicações, a redução a zero da Cide.
A reação dos caminhoneiros foi de resistência. Entidades contrárias ao acordo incentivaram a permanência das paralisações até que o Pis/Cofins fosse também zerado, o que aconteceu na noite de ontem (27). O anúncio foi feito pelo presidente Michel Temer (MDB) acompanhado do Ministro de Governo Carlos Marun.
ACORDO
A redução a zero das alíquotas provocará uma queda de R$0,46 no preço do óleo diesel. O acordo prevê congelamento do preço durante 60 dias e após o prazo, os reajustes serão mensais, o que na visão de Temer, dará “previsibilidade” para os caminhoneiros que reclamam pela inconstância nos preços do combustível.
Marun ressaltou, após a fala do chefe do executivo nacional, que o acordo custará ao Governo o montante de R$10 bilhões, que será coberto pelo Tesouro Nacional via crédito extraordinário.
MEDIDAS PROVISÓRIAS
Durante o discurso, Michel Temer anunciou também a edição de três medidas provisórias que terão o objetivo de contribuir com as reivindicações dos caminhoneiros. As MP’s foram divulgadas no Diário Oficial da União logo na noite de domingo (27) e preveem:
1) Isenção da cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios, em rodovias federais, estaduais e municipais;
2) Determinação para que 30% dos fretes da Conab sejam feitos por caminhoneiros autônimos;
3) Estabelecendo de tabela mínima dos fretes.
As medidas possuem força de lei, e valem a partir da publicação no Diário Oficial. Após isso, a proposta vai para discussão no Congresso durante o prazo de 120 dias. Caso não sejam abordadas durante esse período, as medidas perderão a validade.
Segundo o G1, Temer afirmou que compreende “reivindicações e angústias” dos caminhoneiros e que “jamais” abandou o diálogo.
“Fizemos a nossa parte para atenuar os problemas e os sofrimentos. As medidas que acabo de anunciar, repito, atendem a praticamente todas as reivindicações apresentadas. Quero apresentar plena confiança num espírito natural de responsabilidade, solidariedade e patriotismo de cada um daqueles caminhoneiros que servem ao nosso país”, concluiu o presidente.
FIM DA GREVE
Segundo o ministro Carlos Marun, o fim da greve é imprevisível. Ele justifica isso afirmando que não há liderança unificada na manifestação.
“Não existe uma liderança uniforme desse movimento, são vários líderes. Ouvimos vários desses líderes e, do que ouvimos, elaboramos essa pauta que nós entendemos que atende aos pleitos dos caminheiros e fomos ao máximo do que o governo poderia ceder”, disse.
Apesar disso, ele disse que o Governo espera que as medidas propostas surtam efeito a partir desta segunda-feira (28). A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), que havia resistido à primeira proposta, divulgou na manhã de hoje que assinou o acordo com o Governo e que “a categoria conseguiu ser atendida em diversas reivindicações, dentre delas o subsídio, pelo Governo Federal, do valor referente ao que seria a retirada do PIS, Cofins e Cide sobre o óleo diesel. A medida permitirá a redução de R$0,46 no preço do diesel até o final do ano”.
A nota oficial da associação afirma que “já que o objetivo foi alcançado, a Abcam pede a todos os caminhoneiros que voltem ao trabalho”.
O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, pede para que os motoristas voltem “satisfeitos e orgulhosos” para o trabalho.
“Conseguimos parar este país e sermos reconhecidos pela sociedade brasileira e pelo Governo deste país. Nossa manifestação foi única, como nunca ocorreu na história. Seremos lembrados como aqueles que não cederam diante das negativas do Governo e da pressão dos empresários do setor. Teremos o reconhecimento da nossa profissão, de que nosso trabalho é primordial para o desenvolvimento deste país. Voltem com a sensação de missão cumprida, mas lembrando que a luta não termina aqui”, conclui a nota.
DouradosNews….
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