Trump elogia relação com Brasil e insinua torcida por Flávio Bolsonaro

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a elogiar o Brasil nesta quarta-feira (2), durante coletiva na Casa Branca. No entanto, Trump não citou o presidente Lula (PT) e insinuou torcida pela vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Ao comentar o cenário político na América do Sul, Trump afirmou que a região “está abandonando a esquerda” e indo para a direita. Em sua fala, o presidente americano deixa dito nas entrelinhas que anseia por uma guinada à direita no Brasil.

“Eles deixaram a esquerda e foram para a direita; estão todos indo para a direita. Temos um bom relacionamento com o Brasil. Na verdade, temos um bom relacionamento com praticamente todos eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país. Eles não respeitavam nosso país nem um pouco há dois anos, então estamos indo muito bem na América do Sul, na América Latina”, disse Trump.

Em seguida, o presidente dos EUA se gaba de ter ajudado a eleger políticos de direita na América do Sul e cita a Argentina, que é governada pelo direitista Javier Milei, como exemplo:

“Temos muitas pessoas — na Argentina, por exemplo, há muitas pessoas que ajudei a eleger — e essa parte do nosso hemisfério está realmente se tornando muito diferente do que era.”

Governo Lula rejeita argumentos dos EUA para tarifaço de Trump em nova reunião
O governo brasileiro se reuniu virtualmente na segunda-feira (31) com Jamieson Greer, representante comercial da Casa Branca, na primeira negociação bilateral desde o anúncio do tarifaço de julho.O encontro, acertado após conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto, não produziu avanços concretos imediatos, mas terminou com a concordância de novas rodadas de negociação em níveis ministerial e técnico.

Brasil contesta tarifaço em reunião com os EUA
A reunião desta segunda-feira marcou a retomada formal do diálogo bilateral sobre o tarifaço americano.

Pelo lado brasileiro, Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa transmitiram ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a posição oficial do governo Lula: as medidas impostas por Washington são unilaterais, incompatíveis com as regras multilaterais de comércio e representam tratamento injusto e discriminatório contra o Brasil.

Em nota conjunta divulgada pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro também contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos nas investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.Segundo os ministros, as alegações “não correspondem às efetivas práticas brasileiras”.

O encontro foi acertado depois que Lula e Trump conversaram por telefone em 21 de agosto.

Na ocasião, Lula disse a Trump que as justificativas do USTR para recomendar o tarifaço eram “infundadas”, segundo relatos da conversa.

A reunião desta segunda-feira foi um desdobramento do contato entre os dois presidentes.

Tarifas dos EUA atingem quase 4 mil produtos brasileiros
Os Estados Unidos impõem atualmente duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

A primeira, de 25%, foi justificada pelo entendimento americano de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais contra empresários norte-americanos em seis áreas da economia, entre elas Pix, desmatamento, propriedade intelectual e etanol.

A segunda, de 12,5%, foi aplicada sob a alegação de que o Brasil falhou em proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A tarifa substituiu uma sobretaxa global de 10% que vigorou até julho.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as duas sobretaxas incidem simultaneamente sobre 3.985 produtos brasileiros, equivalentes a US$ 10,8 bilhões — cerca de R$ 55 bilhões — em mercadorias exportadas aos Estados Unidos.

O impacto econômico das medidas aumenta a preocupação do governo Lula com a possibilidade de as tarifas permanecerem em vigor por um período prolongado.

Um auxiliar do presidente lembra que as barreiras sobre aço e alumínio implementadas em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, não foram revogadas pelo governo do democrata Joe Biden.

A preocupação é que as tarifas impostas ao Brasil em julho também permaneçam em vigor e produzam efeitos duradouros sobre as exportações brasileiras.

Brasil e EUA terão novas rodadas de negociação
Brasil e Estados Unidos concordaram em realizar novas reuniões em nível ministerial, ainda sem data definida, para avaliar o andamento das negociações bilaterais e das reuniões técnicas previstas para as próximas semanas.

Os próximos encontros poderão ocorrer de forma presencial ou virtual, segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O governo brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo, “em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico” entre os dois países.

Integrantes do governo ouvidos pela reportagem afirmaram que não esperavam grandes avanços na reunião desta segunda-feira.

Internamente, porém, a manutenção dos canais de negociação é avaliada de forma positiva, enquanto diplomatas brasileiros não esperam uma reversão imediata do tarifaço.

Brasil também recorre à OMC e à Lei da Reciprocidade
Paralelamente às negociações diretas com Washington, o Brasil adotou medidas em outras frentes.

O país acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que os Estados Unidos agiram de forma discriminatória e violaram compromissos assumidos na entidade.

O governo também iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações comerciais de outros países consideradas injustas ou desproporcionais.

Nesta primeira etapa, diferentes ministérios foram consultados e deverão se manifestar sobre o tema.

A estratégia do governo brasileiro envolve, assim, três frentes: negociação direta com Washington, questionamento das medidas na OMC e preparação de eventuais contramedidas com base na legislação brasileira.
Fonte: MSN

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