Dólar tem forte queda e é negociado abaixo de R$ 5 pela 1ª vez desde março

O dólar recua, nesta sexta-feira, 5, refletindo o maior apetite a risco nos mercados globais. Entre os fatores que impulsionam esse movimento estão os dados de desemprego dos Estados Unidos, considerado um dos melhores da história, e a perspectiva de que a economia se aqueça conforme os estímulos dos governos e bancos centrais forem liberados. Às 11h51, o dólar comercial caía 2,871%% e era vendido por 4,9842 reais. É a primeira vez desde 13 de março que a moeda americana é negociada abaixo de 5 reais. Com isso, a divisa caminha para fechar em queda pela terceira semana consecutiva.

A explicação é que, nesta manhã, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou o payroll de maio, que mede a variação a dos postos de trabalho não-agrícola. Os resultados apontaram crescimento do mercado de trabalho, pegando o mercado de surpresa. Enquanto se esperava a perda de até 8 milhões de postos, foram criados 2,5 milhões, reduzindo a taxa de desemprego de 14,7% para 13,3%. Pelas projeções do mercado, o desemprego saltaria para 19,7%.

“Foi o melhor payroll da história. Absolutamente todo mundo errou [as projeções]. Todos os analistas erraram muito”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo ele, isso foi possível graças a dinâmica do mercado de trabalho americano. “Lá eles destróem e criam empregos em uma velocidade muito forte.”

“Os números vieram extremamente melhores. A expectativa era de uma queda severa do mercado de trabalho. A diferença foi de 10 milhões de empregos. O mercado está animado numa força que não se via há tempos”, afirma Pablo Spyer, diretor da Mirae. “O real é a moeda com a maior volatilidade implícita do mundo. Então é natural esses solavancos mais fortes”, explica.

No mundo, os investidores também repercutem os pacotes de estímulos de bancos centrais e governos. Na véspera, o Banco Central Europeu (BCE) expandiu seu programa de compra de títulos de 750 bilhões de euros para 1,35 trilhão de euros. O mercado também espera novos incentivos por parte dos Estados Unidos.

De acordo com a agência Bloomberg, membros da equipe do presidente Donald Trump esperam que o governo gaste mais de 1 trilhão de dólares para atenuar os impactos econômicos do coronavírus. Mas, ainda segundo a agência, o estímulo governamental deve ser feito somente a partir do próximo mês.

A agenda externa, portanto, é o que explica o otimismo no mercado de câmbio. “No Brasil, a situação ainda é bem complicada, com números crescentes de mortos pelo novo coronavírus”, lembra Cristiane Quartaroli, economista do banco Ourinvest. “Os dados econômicos locais estão começando a vir bem ruins, como no caso da produção de veículos, sem falar que o fato político não tem ajudado muito”, acrescenta.

EXAME*

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