Candidatura de Zema perde força em meio a racha no Novo e ascensão de novo rival

O racha na direita para as eleições deste ano ganhou novos contornos, com a pré-candidatura de Romeu Zema (Novo) à presidência da República enfrentando desafios significativos. O ex-governador de Minas Gerais vê sua campanha perder fôlego em meio a pressões internas no partido e a ascensão de um novo nome que adota uma postura considerada mais radical.,

Apesar de Zema negar publicamente a possibilidade de desistir da corrida presidencial, vozes crescem dentro do Novo defendendo um alinhamento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já no primeiro turno, mesmo sem a oferta de uma vaga de vice na chapa. Em reuniões recentes, lideranças do partido na região Sul, como o ex-procurador da operação Lava-Jato Deltan Dallagnol, o deputado Marcel Van Hatten e o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva, começam a deixar claro que preferem caminhar nacionalmente com o PL. Dallagnol é pré-candidato ao Senado no Paraná na chapa de Sergio Moro, recém-filiado ao PL e pré-candidato ao governo do estado; Van Hatten, pré-candidato ao Senado no Rio Grande do Sul na chapa de Luciano Zucco (PL); e Silva, pré-candidato a vice-governador de Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição.

Por trás dessa movimentação, há um debate mais profundo sobre os rumos do Novo após duas eleições presidenciais com resultados pífios: em 2018, João Amoêdo obteve 2,50% dos votos e, em 2022, Felipe d’Avilla recebeu 0,47%. A questão central é se o partido deve atuar como linha auxiliar do bolsonarismo, como defendem Dallagnol e seus aliados, ou se posicionar como uma alternativa na direita capaz de confrontar pontos frágeis da trajetória de Flávio Bolsonaro e sua família. A equipe estratégica de Zema deseja atacar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não recebe autorização para tal. O próprio Zema frequentou manifestações pela anistia de Bolsonaro e dos condenados pelos atos golpistas no ano passado.

Novo “rival”

Nesse vácuo, Renan Santos, pré-candidato a presidente pelo recém-criado Missão, assume o figurino de candidato “anti-sistema”. O Missão, partido do Movimento Brasil Livre (MBL), teve seu registro homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025. Em março deste ano, durante o lançamento da candidatura do deputado federal Kim Kataguiri (Missão) ao Palácio Bandeirantes, em São Paulo, Renan Santos fez o que Zema está proibido: chamou Flávio Bolsonaro de “ladrão” e “representante da direita corrupta”.

Cortes de vídeos com essa declaração viralizam nas redes sociais e já há pesquisas de intenções de votos que colocam o líder do MBL à frente de Zema na corrida presidencial, evidenciando a estagnação do ex-governador de Minas Gerais.

*Com informações da newsletter Jogo Político, do jornal O Globo

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