O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu o andamento de 101 julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, ao apresentar sucessivos pedidos de vista — mecanismo que retira temporariamente um processo da pauta para análise mais detalhada. A medida, registrada desde o fim de outubro de 2025, paralisou todos os casos do 8 de janeiro em que o ministro participou no plenário, e passou a ser interpretada nos bastidores como um movimento que pode abrir espaço para revisões de penas e condenações.
O que significa o “pedido de vista”
No STF, o pedido de vista permite que um ministro suspenda a análise de um processo para examinar melhor os autos antes de apresentar voto. Pela regra interna, esse tipo de solicitação pode adiar o julgamento por até 90 dias, prazo em que o caso fica fora da pauta até a devolução do processo.
Processos do 8 de janeiro entram em compasso de espera
Os processos suspensos envolvem ações penais e recursos ligados aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023 — episódio que resultou em centenas de denúncias, prisões, condenações e recursos em tramitação na Corte.
Na prática, os pedidos de vista de Fux frearam a conclusão de julgamentos que, em vários casos, já tinham maioria formada. Isso significa que decisões que estavam prestes a ser confirmadas ficaram temporariamente sem desfecho, gerando impacto direto no calendário do Supremo para a pauta do 8 de janeiro.
Por que isso pode levar a revisões
A repercussão cresceu porque o gesto do ministro é visto por parte de juristas como sinal de que ele pretende reavaliar critérios aplicados nas condenações, sobretudo em casos com penas elevadas. Na leitura de apoiadores dessa postura, o movimento reforça a necessidade de decisões bem fundamentadas, com análise criteriosa de cada participação individual.
Críticos, porém, sustentam que a interrupção em série pode prolongar a conclusão dos processos e produzir insegurança jurídica, além de aumentar a tensão institucional em torno do julgamento dos atos golpistas.
Contexto: divergências e debates internos
Nos últimos meses, decisões e posicionamentos do ministro também foram associados a debates internos sobre competência, dosimetria de penas e condução dos processos relacionados ao tema. A movimentação ocorre em um cenário em que o STF segue no centro da resposta institucional aos ataques de 8 de janeiro, com julgamentos que continuam a repercutir fortemente no ambiente político e jurídico do país.
Até o momento, o STF não anunciou uma data única para a retomada desses 101 julgamentos suspensos. A devolução dos processos e a retomada das análises dependerão do andamento de cada pedido de vista.
Brasiguaio News acompanha o caso e atualiza assim que houver devolução dos autos e definição de novas pautas no Supremo.