No dia 21 de maio de 2026, o Corinthians sofria o transfer ban da Fifa pela dívida referente à contratação do volante José Martínez junto ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, em agosto de 2024. Exato um mês depois, a situação alvinegra ainda está longe de uma resolução definitiva.
Martínez foi oficializado na janela de transferências do meio do ano, ao lado de nomes como André Carrillo, André Ramalho, Hugo Souza e Memphis Depay. À época presidido por Augusto Melo, o Timão acertou o pagamento de 1,7 milhão de dólares ao Philadelphia Union pela contratação do venezuelano, mas quitou apenas parte do valor.
Em setembro de 2025, o Corinthians foi condenado pela Fifa em razão de uma dívida de 1,425 milhão de dólares (cerca de R$ 7,3 milhões na cotação atual) e recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas ainda não efetuou o pagamento. A decisão também previa a incidência de juros de 15% ao ano.
O Corinthians desembolsou 200 mil dólares no momento da contratação e parcelou o restante do valor em três prestações, com a primeira vencendo em dezembro de 2024. Diante do descumprimento do cronograma de pagamentos, o Philadelphia Union recorreu à Fifa e obteve decisão favorável no processo contra o clube alvinegro. O caso ainda tramitava no CAS, última instância para esse tipo de disputa, até a confirmação da condenação. À época, o presidente Osmar Stabile afirmou que buscava uma negociação com os norte-americanos, algo que não se concretizou.
Cabe destacar que o jogador já não faz mais parte do elenco alvinegro. O contrato de José Martínez foi rescindido no início deste ano após o volante se atrasar para a reapresentação da equipe e retornar ao clube com uma lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho. Em pouco mais de um ano no Parque São Jorge, o venezuelano disputou 70 partidas, com 36 vitórias, 13 empates e 21 derrotas, além de ter marcado dois gols e distribuído duas assistências, sendo também peça importante nas conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2025.
Além do impasse com a Fifa, o Corinthians se aproxima da próxima janela de transferências, que será aberta em 20 de julho, e corre o risco de iniciar o período sem poder registrar novos jogadores. Ao mesmo tempo, a diretoria trabalha com a expectativa de arrecadar 25 milhões de euros (cerca de R$ 147,3 milhões na cotação atual) líquidos com a venda de atletas. Nesse cenário, nomes como Hugo Souza, Matheuzinho, André Luiz, Breno Bidon e Yuri Alberto aparecem entre os mais valorizados do elenco e podem receber propostas nos próximos meses.Nova condenação e momento financeiro turbulento
Além do caso envolvendo Martínez, o Corinthians ainda corre o risco de sofrer novas sanções da Fifa. No início de junho, o clube foi condenado a pagar 850 mil dólares (cerca de R$ 4,2 milhões na cotação atual) ao New York City, dos Estados Unidos, por não cumprir o pagamento acordado pela extensão do empréstimo do atacante Talles Magno, realizada em abril de 2025.
A decisão, datada de 17 de fevereiro e publicada apenas no início deste mês, também prevê a incidência de juros de 15% ao ano a partir de 2 de agosto de 2025, além de uma multa de 90 mil dólares (cerca de R$ 455 mil) em favor da entidade e outros 21 mil dólares (aproximadamente R$ 105 mil) referentes aos custos processuais. O Corinthians recebeu um prazo de 45 dias para quitar a dívida e evitar uma nova punição. Como 20 deles já transcorreram desde a notificação oficial, restam apenas 25 para a regularização do débito.
Segundo o ge.globo, o Corinthians apresentou recurso à Corte Arbitral do Esporte (CAS), responsável por julgar apelações em processos esportivos internacionais. O jogador, vale lembrar, não atua mais pelo clube após o término de seu contrato de empréstimo, encerrado ao fim da temporada de 2025.
No início de maio, o mesmo órgão determinou que o Timão efetuasse o pagamento de mais de R$ 6 milhões ao Midtjylland, da Dinamarca, pelo descumprimento do acordo firmado na contratação do volante Charles, concretizada no segundo semestre de 2024, ainda durante a gestão de Augusto Melo.
A decisão foi publicada em 31 de março deste ano, e o Corinthians recebeu o mesmo prazo de 45 dias para quitar o débito sob risco de sofrer um novo transfer ban. Neste domingo, completaram-se 82 dias desde a publicação da sentença, sem que a situação tenha sido oficialmente solucionada.
Além dos casos citados, outra dívida que colocava o Corinthians sob risco de transfer ban dizia respeito à contratação de Rodrigo Garro junto ao Talleres, da Argentina, no início de 2024. Neste caso, porém, o presidente Osmar Stabile conseguiu chegar a um acordo com o clube argentino e efetuou o pagamento na última sexta-feira.
As partes acertaram uma operação que prevê o pagamento à vista de 8,5 milhões de dólares (cerca de R$ 42 milhões) ao clube de Córdoba, já incluindo juros e demais encargos. Para viabilizar a quitação, a diretoria alvinegra recorreu a uma operação financeira. De acordo com a Central do Timão, os recursos foram obtidos junto à Outfield, empresa especializada em investimentos, inteligência e estratégia para os setores de esporte e entretenimento.
O débito estava relacionado à condenação imposta pela Fifa em fevereiro de 2025, no valor de 3,6 milhões de dólares (cerca de R$ 18,7 milhões na cotação da época). O clube havia recorrido à Corte Arbitral do Esporte para tentar evitar uma nova punição. As negociações permaneceram travadas durante meses em razão do desgaste na relação entre Augusto Melo, responsável pela contratação de Garro, e a diretoria do Talleres.
Paralelamente às pendências judiciais, o Corinthians também enfrenta dificuldades financeiras internas. O clube acumula atrasos no pagamento dos salários dos jogadores e da comissão técnica do futebol masculino pelo segundo mês consecutivo, tendo quitado apenas parte das pendências com outros funcionários. Além disso, registrou déficit de R$ 168 milhões em abril, conforme apontado no balancete financeiro divulgado em seu site oficial.
Meu Timão*