O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu publicamente as urnas eletrônicas nesta quarta-feira (22) e disse que o debate levantado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “não vai levar a lugar nenhum”. A declaração foi feita durante evento de comemoração dos 25 anos da BandNews TV, em São Paulo, um dia depois de Flávio associar, sem provas, as urnas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic em encontro com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília. A reação de Tarcísio, aliado político do clã Bolsonaro, acirrou o debate sobre os rumos da direita a menos de um ano das eleições de 2026.
Tarcísio defende urnas e critica Flávio Bolsonaro
Em coletiva de imprensa após o evento da BandNews TV, Tarcísio foi direto ao responder sobre as declarações do senador.
“Eu confio nas urnas. Se eu não tivesse confiança, eu não estaria disputando a eleição. Foram as urnas que me trouxeram aqui”, afirmou o governador.
Ele foi além da defesa do sistema e sinalizou impaciência com a pauta: “Acho que a gente tem que discutir projetos, olhar o que o Brasil precisa. Essa aí dessa discussão não vai levar a lugar nenhum.”
Os ataques de Flávio Bolsonaro às urnas
Na terça-feira (21), durante o evento “Debatendo o Brasil”, organizado em Brasília com a presença de embaixadores e representantes de 42 países, Flávio Bolsonaro fez afirmações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. O senador associou as urnas eletrônicas à empresa Smartmatic, citada em documento da CIA como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas de 2010 e 2012, e pediu que os países presentes enviassem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar as eleições de outubro. “Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, afirmou.
O problema é que a afirmação é totalmente falsa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa associação em nota de 2020, esclarecendo que o sistema eletrônico de votação brasileiro foi concebido e é gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral. Segundo o TSE, a Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil nem participou do desenvolvimento ou da programação dos equipamentos, tendo prestado apenas serviços pontuais de suporte técnico em contratos anteriores e perdido uma licitação para fabricação de urnas. Após o evento, a pré-campanha de Flávio divulgou nota afirmando que o senador não atacou o sistema eleitoral e que ele tem “integral confiança” no processo de votação, mas a contradição com o conteúdo do discurso não passou despercebida. O episódio repete, ponto a ponto, a estratégia de seu pai, Jair Bolsonaro, declarado inelegível pelo TSE após reunião semelhante com embaixadores em 2022.
Fonte: Estadao
