Revista Veja Matéria: Abertura dos trabalhos no Congresso Nacional Personagem: Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia Foto: Cristiano Mariz Data: 04/02/2019 Local: Congresso Nacional - Brasília - DF

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima quarta-feira, 14 de outubro, a votação em primeiro turno da proposta que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição do salário.

O anúncio foi feito na sexta-feira (9). Segundo informações da Agência Brasil, Alcolumbre afirmou que o agendamento atende ao compromisso de colocar a matéria em votação, respeitando o rito legislativo.

O que muda com o fim da escala 6×1?

Atualmente, a chamada escala 6×1 permite a organização do trabalho em seis dias de atividade para um dia de descanso. A PEC propõe a adoção da escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana.

Além da mudança na distribuição dos dias de trabalho, a proposta prevê uma jornada máxima de 40 horas semanais, em vez das atuais 44 horas, sem redução salarial.

Como será a transição para a escala 5×2?

O texto estabelece um período de adaptação de até 14 meses, com mudanças graduais caso a emenda seja promulgada:

  • Dois dias de folga por semana: a escala 5×2 passaria a ser exigida 60 dias após a promulgação da emenda.
  • Primeira redução da jornada: no mesmo prazo de 60 dias, o limite semanal cairia de 44 para 42 horas.
  • Segunda redução: 12 meses depois da primeira etapa, a jornada máxima seria reduzida para 40 horas semanais.

O projeto prevê regras específicas de transição para trabalhadores terceirizados da administração pública.

PEC prevê exceção para alguns profissionais

O texto também admite jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração a partir de R$ 21.188,87, mediante negociação direta com o empregador. Mesmo nesses casos, deve ser preservada a escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Proposta já foi aprovada pela Câmara

A PEC foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e encaminhada ao Senado. Na Casa, recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no início de setembro, mas ainda precisava ser incluída na pauta do plenário.

Por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta exige dois turnos de votação em cada Casa do Congresso, com apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares. No Senado, isso corresponde a 49 dos 81 senadores em cada turno.

Se o Senado alterar o texto já aprovado pelos deputados, a matéria precisará retornar à Câmara para nova análise. Portanto, a votação marcada para quarta-feira não significa que a nova escala entrará em vigor imediatamente.

O que a mudança pode representar para o comércio e os serviços?

A discussão interessa diretamente a trabalhadores e empregadores do comércio, da indústria e do setor de serviços. Em cidades como Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, empresas que funcionam aos sábados, domingos ou em horários estendidos poderão precisar reorganizar equipes e turnos caso as novas regras sejam aprovadas e entrem em vigor.

Os impactos concretos dependerão do texto definitivo e da forma como cada atividade organizará sua jornada de trabalho. Até eventual promulgação da emenda e cumprimento dos prazos de transição, continuam valendo as regras atuais.

Com informações da Agência Brasil. Redação: Brasiguaio News.

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